quinta-feira, 7 de junho de 2012

1 Segundo infinito



Aquele momento em que tudo fica estático
Gelamos
Aquele eterno segundo que nunca mais acaba, preso entre duas batidas de coração
Onde o pulsar da vida se esvai
O exato momento que tomamos a consciência,
Que tudo fica claro, sem margem de dúvidas
A catarse daquele segundo é extenuante
O mundo desfila à nossa volta, como um filme a preto e branco rasurado
Somos uma ponta solta num infinito de histórias completas
O segundo não para
A batida do coração não segue
Um fogo arrasador invade-nos
Queima-nos
E o segundo não para
O coração não bate
O fogo persiste, queima, fere, destrói, elimina, purga
E o segundo ainda não parou
O seu infinito desespera
O coração teima em não voltar a bater
Até que
O silêncio total
Uma bruma suave vem
Suave como um pena
 Vai desvanecendo o fogo
Levando tudo consigo
Deixando um espaço novo
O vazio
A ausência completa de tudo
E o segundo parou

terça-feira, 1 de março de 2011

Pesadelo


Sinto-me a desvanecer...

A brisa dos minutos abana-me, faz-me tremer, olho à volta…

Procuro, volto a procurar…

Estou perdida, angustiada, perdi a luz…

O meu corpo explode, libertando-se em milhares de pontos, que se espalham num céu negro, assustador…

As âncoras dentro de mim desaparecem...

Sou livre? Serei livre? Saberei ser livre? Quererei ser livre? O que é ser livre?

Continuo a olhar em volta, a angústia volta a envolver-me como duas mãos gigantes, sufocantes, arrepiantes…

Quero fugir, preciso fugir, as portas fecham-se, os caminhos são engolidos, quero chegar, não consigo…

Milhares de vultos cercam-me, estão parados no tempo, ondulam amarrados a um chão castrador, os vultos anónimos, todos iguais, esticam-se, tentam tocar-me, tentam prender-me ali…

Continuo a fugir, à procura do nenhures, não sei o que procuro… Não sei o que procurar…

domingo, 26 de dezembro de 2010

Sonhos


O sonho vem, suave, em passos gentis..
A simplicidade do momento enche-nos o coração,
Envolve-nos de mel, de um doce cálido que nos faz sorrir,
O sorriso que se rasga nos lábios frutados, é o sorriso de quem está feliz,
A imagem passa pelos olhos fechados, uma imagem animada,
Pequenas sequências de felicidade solta, desregrada, fragmentos de amor,
O sonho é puro, genuíno, sem mácula, desprovido de regras,
Corre solto, veloz, galopa dentro de nós, alimentando-se dos sentimentos mais recônditos,
O sonho cresce da esperança que teimamos em abafar quando estamos acordados...

Adoro sonhar...
Adoro ser feliz...
Adoro acreditar...

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Silêncios


Os silêncios que invadem a nossa intimidade são terríveis.. Assustadores...

Os silêncios entranham-se no meio de nós, vão-se instalando, ganhando espaço...

Espaços que estão vazios devido à tua ausência..


Espaços só teus...

Espaços só meus...

Espaços só nossos...

O vazio é ilusório, são os momentos dolorosos que o caracterizam, momentos acutilantes que me rasgam, me partem, me amordaçam quando me apetece gritar...

O vazio é salpicado pela força da distância, pela incerteza do futuro, pela ausência de presente...


A incerteza marca o ritmo, fixa o compasso que nos persegue no dia a dia...

Um compasso arrepiante, provocando abismos de sensações contraditórias...


O silêncio está dentro de mim, repleto de despedidas, separações abruptas...



domingo, 31 de outubro de 2010

A relação perfeita seria um infinito início


Sentou-se inquieto e apressado, com uma sede imensa de solidão. O dia teimava em prolongar-se naquela tarde ensolarada de Julho. Atrás da vitrina do café, todos pareciam correr de alguém que os perseguia.

Estava inquieto porque ninguém o perseguia a ele. Porquê? O que lhe faltava?

A solidão continuava a entranhar-se nele.

O olhar perdeu-se na multidão de transeuntes anónimos.

Ela entrou sorridente, como se a luz persistisse em acompanhá-la até na penumbra.

Ajustou-se à cadeira, puxando discretamente o vestido curto. O seu corpo jovem, insinuante de tentações e prazeres contidos, alinhou-se ao olhar.

Os olhos dela varreram a sala, perdidos, desinteressados.

Ele viu uma solidão igual à sua, quis esticar a mão mas não conseguiu…

Ela olhou-o e atravessou-o…

Recebeu o olhar dela como um golpe perpassado por um raio de luz incandescente.

Ela sorriu-lhe timidamente. Surpreso, teve a tentação de olhar em redor para confirmar se era ele o destinatário. Sentiu um afago de alma, a vontade imensa de sentir seus aqueles lábios carnudos.

Ela levantou-se de repente, com um olhar perturbado, acercou-se dele e disse-lhe:

- Tu agradas-me. Posso sentar-me?

- Claro – respondeu ele, inquieto com a possibilidade de ela ter escutado os seus pensamentos.

(continua...)

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Conversas Facebookianas… Pequenas pérolas….


Este texto resulta de uma troca deliciosa de pequenos galhardetes no facebook.

Já tinha pensado num pequeno ensaio como este várias vezes, pois trocam-se tantas ideias, palavras, brincadeiras, pequenas pérolas, nos murais do facebook, e que ficam lá amarradas, que se perdem na lista de post´s antigos, que achei por bem publicar esta conversa, com a devida autorização dos intervenientes…

Podem não achar piada nenhuma, mas eu fartei-me de rir…

Tudo começou com a publicação da frase do dia que uma das mil aplicações do facebook gera automaticamente…

Frase do dia: Penso, por isso sou solteira

Esta pequena frase desencadeou a seguinte conversa….

• Lol. Essa agora só as solteiras é k tem neurónios????!!!!!! Por favor actualizem estas frases.....hihihihi

• Tens de passar a uma análise mais filosófica da frase... E aprofundar o entendimento do que está subjacente a frase, não caindo no que possa ser uma perspectiva falaciosa da coisa loooooolllll

• Medo senhor filósofo

• Medo (n.) Assustadiço, assustador, espantoso, medonho, medroso, pavoroso, receoso assustar, espantar, nervoso... Como vês é só perspectivar loooll
vou tomar esse medo como: espantoso loooooooooooooooolll

• Looollll força nisso ó espantoso!

• ‎:d sim, bela musa que inspiras em mim a dissertação filosófica de palavras por já muito navegadas, e que no entanto continuam a dar que fazer ao povo loooll

• Vocês logo de manhã com um paleio tão faustoso até me assustam....... Eu nem pensar consigo lollllll

• Delicada amiga já dizia o outro: " penso, logo desisto" looolll

• O papel de musa deixa-me embaraçada mas também orgulhosa, por isso venham daí essas palavras... Me surpreenda.

• Hihihihihihihi!!!!!!!!

• Muito bom.

• Embaraçada???? De onde ides buscar esse sentimento menos propenso de ser referência como algo de bom? Toma a palavra musa como uma epopeia atua subtil sensualidade, e embrenha o teu pensamento no deleitar ameno do fogo da paixão :) ( embrulha) loooolll

• Xiiiiiiiiiiiiiiiiiii patrão!Até fico embasbacada! Sim senhor Joel estás mesmo de parabéns! Bjs

• ;) qdo me fazes uma visita? :)

• Sei lá!!!!!! Quando tiver um lindo e gentil cavalheiro que me leva ao teu encontro......

• Estou a brincar! Qualquer dia vou aí. Deixa me combinar aí com um pessoal e vamos ok? Bjs

• O senhor Joel quer que esta delicada e sensual musa lhe responda como merece?

• Ora bolas, não és pobre no pedir... Lindos até existem alguns (refiro-me à casca) agora gentil cavalheiro é que não será tão fácil... O pessoal só pensa em cueca looolll

• Hihihihihi...... Pois aí é k está.

• Então, vou ao Ikea comprar um banquito, assim pelo menos, vou esperando sentadito:)

• Tadinhas das cuecas...

• Loolll

• Esta conversa está uma delícia, dá vontade de agarrar em tudo e fazer um texto, deixam-me fazer isso?

• :) por mim bota brita

• Vou botar fogo na peça

Conclusão, continuo sem saber se só pensam as solteiras… E verdade, verdadinha é que ninguém respondeu à minha questão: Então se for comprometida não penso?

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Momentos mudos


Nem sempre temos que rimar para escrever poesia, começou assim a conversa.

Eu sei que a poesia não é só rima...
Sei que as palavras rimadas nem sempre são as mais bonitas...

Mas quando as palavras se juntam, se tornam cúmplices, quando namoram entre si, para passar uma mensagem, estamos perante um momento soberbo...

Mas os momentos também têm que ser ausentes de palavras...
Momentos mudos...
Cheios de algo que nem as palavras rimadas explicam...

Momentos que se sentem, que se vivem...
Que nos trespassam a alma...
Momentos que nos levam tudo e nos deixam vazios, perdidos...

Existe alguma palavra que explique a sensação que uma lágrima provoca, quando corre contrária ao arrepio que nos percorre o corpo?

Existe alguma palavra que explique o cruzar do olhar perdido com o pôr do sol solitário no horizonte?

Sei que a poesia não se faz de palavras rimadas...

Para mim a poesia está nos momentos mudos...

Aqueles momentos em que não sei escrever, que as palavras fogem velozes da ponta dos meus dedos...
Está nos momentos em que me limito a sentir, em que sou transportada para mundos cheios de momentos mudos...

Estes momentos são pura poesia..
Poesia que nunca irá ser escrita...
Poesia que nunca vai ser contada...

A poesia está cativa nas palavras que não podemos dizer, que não ousamos dizer...
Está presa dentro de mim, amarrada por mil cordas invisíveis...

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

O beijo


O beijo pousou no lábio que tremia...

Chegou devagar, gentil, suave como a bruma da madrugada...
Cheio de sonhos, vontades por descobrir, desejos a brotar...

Aquele primeiro beijo parou o tempo...
Tudo caiu...
Só ficou aquele beijo... nos lábios que tremiam, que ansiavam, lábios perfeitos, por encher, por conquistar....

A mão procurou a face, o pescoço, o coração, a alma...
A mão veio e agarrou tudo..
Reclamou aquele ser só para si....


O beijo ficou,
quedou-se,
matreiro sobre o lábio que tremia...


segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Ele e Ela


- Olá, posso conhecer-te? - perguntou Ele.

- Porque me queres conhecer? - retorquiu Ela.


-Agradas-me... Brilhas... - respondeu Ele - Mas também... Hmmmm.... Não te quero incomodar...

- Podes incomodar, mas dúvido que me consigas conhecer... Eu estou aqui, mas sem estar... - disse Ela.


-Não me importo, eu vou-te buscar... - disse Ele.

- Vais-me buscar onde? - perguntou Ela.


- Onde estás, já lá estive, acredita em mim, dá-me a tua mão, eu trago-te de volta... - prometeu Ele.

- Não consigo acreditar, não te posso dar a minha essência, não a vais compreender... - defendeu-se Ela.


- Compreendo sim, a tua essência é igual à minha, és o meu todo, és o meu nada, eu sou tu, tu és eu.. Acredita... Dá-me a tua mão... - pediu Ele.


Ela piscou os olhos, olhou no fundo da alma dele, quis acreditar, quis dar a mão, mas a dúvida estava entranhada Nela, o medo consumia-a...


Ele olhou para os olhos Dela, abraçou-os com toda a sua paixão, todo o seu calor, todo o seu amor, pois ele sabia o caminho, o caminho tortuoso que a Deusa da Felicidade reserva para os apaixonados.


- Acredito em ti, toma a minha mão, vai-me buscar e leva-me... - suspirou Ela.

- Vem então... - delirou Ele.

sábado, 7 de agosto de 2010

A lua no teu olhar


A lua entrou pelo teu olhar e encheu-te a alma... Assim que encontrou teus olhos meigos sentiu-se em casa e deixou-se ficar, perdida no morno suave...


Teus olhos acarinharam a lua e embalaram-na num sussurro de paixão... De ardor...

A lua ali ficou, tempos sem fim, tempos sem inicio, ficou e deixou-se ficar...


Os teus olhos aprisionaram a lua, com grades de veludo, fazendo-a desejar nunca mais sair...

A lua dançou, ao ritmo dos teus olhos, ao ritmo do teu coração, ao ritmo do teu calor...


A lua ficou para sempre nos teus olhos, divagando, querendo mais e querendo menos...
Os teus olhos reflectiram a luz da lua, com tal cumplicidade, com tal harmonia, fazendo-a ficar, enfeitiçada no teu olhar...