domingo, 26 de dezembro de 2010

Sonhos


O sonho vem, suave, em passos gentis..
A simplicidade do momento enche-nos o coração,
Envolve-nos de mel, de um doce cálido que nos faz sorrir,
O sorriso que se rasga nos lábios frutados, é o sorriso de quem está feliz,
A imagem passa pelos olhos fechados, uma imagem animada,
Pequenas sequências de felicidade solta, desregrada, fragmentos de amor,
O sonho é puro, genuíno, sem mácula, desprovido de regras,
Corre solto, veloz, galopa dentro de nós, alimentando-se dos sentimentos mais recônditos,
O sonho cresce da esperança que teimamos em abafar quando estamos acordados...

Adoro sonhar...
Adoro ser feliz...
Adoro acreditar...

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Silêncios


Os silêncios que invadem a nossa intimidade são terríveis.. Assustadores...

Os silêncios entranham-se no meio de nós, vão-se instalando, ganhando espaço...

Espaços que estão vazios devido à tua ausência..


Espaços só teus...

Espaços só meus...

Espaços só nossos...

O vazio é ilusório, são os momentos dolorosos que o caracterizam, momentos acutilantes que me rasgam, me partem, me amordaçam quando me apetece gritar...

O vazio é salpicado pela força da distância, pela incerteza do futuro, pela ausência de presente...


A incerteza marca o ritmo, fixa o compasso que nos persegue no dia a dia...

Um compasso arrepiante, provocando abismos de sensações contraditórias...


O silêncio está dentro de mim, repleto de despedidas, separações abruptas...



domingo, 31 de outubro de 2010

A relação perfeita seria um infinito início


Sentou-se inquieto e apressado, com uma sede imensa de solidão. O dia teimava em prolongar-se naquela tarde ensolarada de Julho. Atrás da vitrina do café, todos pareciam correr de alguém que os perseguia.

Estava inquieto porque ninguém o perseguia a ele. Porquê? O que lhe faltava?

A solidão continuava a entranhar-se nele.

O olhar perdeu-se na multidão de transeuntes anónimos.

Ela entrou sorridente, como se a luz persistisse em acompanhá-la até na penumbra.

Ajustou-se à cadeira, puxando discretamente o vestido curto. O seu corpo jovem, insinuante de tentações e prazeres contidos, alinhou-se ao olhar.

Os olhos dela varreram a sala, perdidos, desinteressados.

Ele viu uma solidão igual à sua, quis esticar a mão mas não conseguiu…

Ela olhou-o e atravessou-o…

Recebeu o olhar dela como um golpe perpassado por um raio de luz incandescente.

Ela sorriu-lhe timidamente. Surpreso, teve a tentação de olhar em redor para confirmar se era ele o destinatário. Sentiu um afago de alma, a vontade imensa de sentir seus aqueles lábios carnudos.

Ela levantou-se de repente, com um olhar perturbado, acercou-se dele e disse-lhe:

- Tu agradas-me. Posso sentar-me?

- Claro – respondeu ele, inquieto com a possibilidade de ela ter escutado os seus pensamentos.

(continua...)

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Conversas Facebookianas… Pequenas pérolas….


Este texto resulta de uma troca deliciosa de pequenos galhardetes no facebook.

Já tinha pensado num pequeno ensaio como este várias vezes, pois trocam-se tantas ideias, palavras, brincadeiras, pequenas pérolas, nos murais do facebook, e que ficam lá amarradas, que se perdem na lista de post´s antigos, que achei por bem publicar esta conversa, com a devida autorização dos intervenientes…

Podem não achar piada nenhuma, mas eu fartei-me de rir…

Tudo começou com a publicação da frase do dia que uma das mil aplicações do facebook gera automaticamente…

Frase do dia: Penso, por isso sou solteira

Esta pequena frase desencadeou a seguinte conversa….

• Lol. Essa agora só as solteiras é k tem neurónios????!!!!!! Por favor actualizem estas frases.....hihihihi

• Tens de passar a uma análise mais filosófica da frase... E aprofundar o entendimento do que está subjacente a frase, não caindo no que possa ser uma perspectiva falaciosa da coisa loooooolllll

• Medo senhor filósofo

• Medo (n.) Assustadiço, assustador, espantoso, medonho, medroso, pavoroso, receoso assustar, espantar, nervoso... Como vês é só perspectivar loooll
vou tomar esse medo como: espantoso loooooooooooooooolll

• Looollll força nisso ó espantoso!

• ‎:d sim, bela musa que inspiras em mim a dissertação filosófica de palavras por já muito navegadas, e que no entanto continuam a dar que fazer ao povo loooll

• Vocês logo de manhã com um paleio tão faustoso até me assustam....... Eu nem pensar consigo lollllll

• Delicada amiga já dizia o outro: " penso, logo desisto" looolll

• O papel de musa deixa-me embaraçada mas também orgulhosa, por isso venham daí essas palavras... Me surpreenda.

• Hihihihihihihi!!!!!!!!

• Muito bom.

• Embaraçada???? De onde ides buscar esse sentimento menos propenso de ser referência como algo de bom? Toma a palavra musa como uma epopeia atua subtil sensualidade, e embrenha o teu pensamento no deleitar ameno do fogo da paixão :) ( embrulha) loooolll

• Xiiiiiiiiiiiiiiiiiii patrão!Até fico embasbacada! Sim senhor Joel estás mesmo de parabéns! Bjs

• ;) qdo me fazes uma visita? :)

• Sei lá!!!!!! Quando tiver um lindo e gentil cavalheiro que me leva ao teu encontro......

• Estou a brincar! Qualquer dia vou aí. Deixa me combinar aí com um pessoal e vamos ok? Bjs

• O senhor Joel quer que esta delicada e sensual musa lhe responda como merece?

• Ora bolas, não és pobre no pedir... Lindos até existem alguns (refiro-me à casca) agora gentil cavalheiro é que não será tão fácil... O pessoal só pensa em cueca looolll

• Hihihihihi...... Pois aí é k está.

• Então, vou ao Ikea comprar um banquito, assim pelo menos, vou esperando sentadito:)

• Tadinhas das cuecas...

• Loolll

• Esta conversa está uma delícia, dá vontade de agarrar em tudo e fazer um texto, deixam-me fazer isso?

• :) por mim bota brita

• Vou botar fogo na peça

Conclusão, continuo sem saber se só pensam as solteiras… E verdade, verdadinha é que ninguém respondeu à minha questão: Então se for comprometida não penso?

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Momentos mudos


Nem sempre temos que rimar para escrever poesia, começou assim a conversa.

Eu sei que a poesia não é só rima...
Sei que as palavras rimadas nem sempre são as mais bonitas...

Mas quando as palavras se juntam, se tornam cúmplices, quando namoram entre si, para passar uma mensagem, estamos perante um momento soberbo...

Mas os momentos também têm que ser ausentes de palavras...
Momentos mudos...
Cheios de algo que nem as palavras rimadas explicam...

Momentos que se sentem, que se vivem...
Que nos trespassam a alma...
Momentos que nos levam tudo e nos deixam vazios, perdidos...

Existe alguma palavra que explique a sensação que uma lágrima provoca, quando corre contrária ao arrepio que nos percorre o corpo?

Existe alguma palavra que explique o cruzar do olhar perdido com o pôr do sol solitário no horizonte?

Sei que a poesia não se faz de palavras rimadas...

Para mim a poesia está nos momentos mudos...

Aqueles momentos em que não sei escrever, que as palavras fogem velozes da ponta dos meus dedos...
Está nos momentos em que me limito a sentir, em que sou transportada para mundos cheios de momentos mudos...

Estes momentos são pura poesia..
Poesia que nunca irá ser escrita...
Poesia que nunca vai ser contada...

A poesia está cativa nas palavras que não podemos dizer, que não ousamos dizer...
Está presa dentro de mim, amarrada por mil cordas invisíveis...

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

O beijo


O beijo pousou no lábio que tremia...

Chegou devagar, gentil, suave como a bruma da madrugada...
Cheio de sonhos, vontades por descobrir, desejos a brotar...

Aquele primeiro beijo parou o tempo...
Tudo caiu...
Só ficou aquele beijo... nos lábios que tremiam, que ansiavam, lábios perfeitos, por encher, por conquistar....

A mão procurou a face, o pescoço, o coração, a alma...
A mão veio e agarrou tudo..
Reclamou aquele ser só para si....


O beijo ficou,
quedou-se,
matreiro sobre o lábio que tremia...


segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Ele e Ela


- Olá, posso conhecer-te? - perguntou Ele.

- Porque me queres conhecer? - retorquiu Ela.


-Agradas-me... Brilhas... - respondeu Ele - Mas também... Hmmmm.... Não te quero incomodar...

- Podes incomodar, mas dúvido que me consigas conhecer... Eu estou aqui, mas sem estar... - disse Ela.


-Não me importo, eu vou-te buscar... - disse Ele.

- Vais-me buscar onde? - perguntou Ela.


- Onde estás, já lá estive, acredita em mim, dá-me a tua mão, eu trago-te de volta... - prometeu Ele.

- Não consigo acreditar, não te posso dar a minha essência, não a vais compreender... - defendeu-se Ela.


- Compreendo sim, a tua essência é igual à minha, és o meu todo, és o meu nada, eu sou tu, tu és eu.. Acredita... Dá-me a tua mão... - pediu Ele.


Ela piscou os olhos, olhou no fundo da alma dele, quis acreditar, quis dar a mão, mas a dúvida estava entranhada Nela, o medo consumia-a...


Ele olhou para os olhos Dela, abraçou-os com toda a sua paixão, todo o seu calor, todo o seu amor, pois ele sabia o caminho, o caminho tortuoso que a Deusa da Felicidade reserva para os apaixonados.


- Acredito em ti, toma a minha mão, vai-me buscar e leva-me... - suspirou Ela.

- Vem então... - delirou Ele.

sábado, 7 de agosto de 2010

A lua no teu olhar


A lua entrou pelo teu olhar e encheu-te a alma... Assim que encontrou teus olhos meigos sentiu-se em casa e deixou-se ficar, perdida no morno suave...


Teus olhos acarinharam a lua e embalaram-na num sussurro de paixão... De ardor...

A lua ali ficou, tempos sem fim, tempos sem inicio, ficou e deixou-se ficar...


Os teus olhos aprisionaram a lua, com grades de veludo, fazendo-a desejar nunca mais sair...

A lua dançou, ao ritmo dos teus olhos, ao ritmo do teu coração, ao ritmo do teu calor...


A lua ficou para sempre nos teus olhos, divagando, querendo mais e querendo menos...
Os teus olhos reflectiram a luz da lua, com tal cumplicidade, com tal harmonia, fazendo-a ficar, enfeitiçada no teu olhar...

terça-feira, 3 de agosto de 2010

A menina à beira da linha do comboio


Todos os dias a menina sentava-se à beira da linha do comboio...

Tinha um lugar só para ela, um sítio especial, onde criava um mundo, um universo só dela...


Os comboios que ali passavam iam muito devagar, cheios de pessoas, vazios, cheios de fantasmas, transportando sussuros, histórias, desamores, esperanças...


A menina observava tudo, absorvia tudo, importava todas as emoções para o seu mundo imaginário...


As pessoas que iam no comboio, encarnavam pessoas reais no seu mundo, eram heróis, vilãs, pessoas com histórias... Compunham um imaginário tão rico e vivido, que distinguir o real do irreal era impossível...


Os comboios continuavam a passar, dia após dia, pessoas atrás de pessoas, vidas atrás de vidas, e a menina ali sentada, a ver, a absorver...


A menina ali sentada não vivia, sobrevivia através dos outros, não construía as suas vivências....


Os comboios passavam, a menina não apanhava nenhum, será que tinha medo? Ou será que queria que o comboio a apanha-se a ela?




terça-feira, 6 de julho de 2010

O suspiro


O suspiro saiu de mim..

Foi-se... Desvaneceu-se no ar...

Levou em si o peso dum segredo profundo...


O suspiro foi levado pelo vento... Perdeu-se na imensidão do dia, ofuscado pelo brilho do sol...

Já não cabia dentro de mim, transbordava, era tortuoso demais para guardar...


Era quase obsceno, imbuído de um erotismo arrepiante, o suspiro teve que ir, ocupar outros corpos, poderoso demais para ser transportado por um único ser...


Mas deixou um rasgo, uma marca, um caminho... Um espaço vazio...

O vazio do suspiro é intolerável....

Mas o suspiro teve que ir...

Foi-se....



domingo, 20 de junho de 2010

Três cavalheiros e um pintainho



Era uma vez três cavalheiros, senhores bem postos, como manda a cartilha do antigamente. Gente recta, bom coração, princípios centenários, três indivíduos que tornavam o mundo um sitio melhor.

O primeiro cavalheiro era o Sr. Pai de Todos.

O Sr. Pai de Todos onde quer que fosse enchia a sala, devido ao seu tamanho (homem alto, possante, voz grossa) e ao tamanho do seu coração, homem dotado de uma vontade de viver extraordinária. Uma das principais características era a sua brusquidão, de tal forma natural, completada por um olhar meigo, que desarmava qualquer um. Tomava conta dos assuntos problemáticos de todos (daí o seu nome), conhecia as manhas de cada um, melhor que a palma da mão.

O segundo cavalheiro era o Sr. Salomão.

O Sr. Salomão, tal como o nome indica, tentava aplicar em seu redor a harmonia e o equilíbrio, todas as suas opiniões eram dotadas de tal argúcia e inteligência, que o mais indignado dos homens se vergava perante ele. Uma das suas principais características era a timidez, escondida atrás de um olhar curioso e inteligente. A sua presença transmitia calma e segurança. Trazia paz de espírito as almas mais inquietas, mas ao mesmo tempo confundia, pois no fundo dos seus olhos castanhos havia sempre sentimentos indecifráveis, que a todos deixavam intrigados. Era talvez o mais enigmático do grupo.

O terceiro cavalheiro era o Sr. Pudores.

O Sr. Pudores, nada a tinha a ver com o nome, pois não era pudorento, mas foi um nome que lhe caiu com tanta graça e encanto, e como ele em petiz foi o único da sua pandilha que não teve alcunha, que ficou Sr. Pudores, para o bem e para o mal. O Sr. Pudores tinha como principal característica a capacidade de leitura das pessoas, era tão perspicaz nisso, que conseguia ler coisas que as pessoas desconheciam. Dotado de uma generosidade desmesurada, capaz de actos de ternura inimagináveis, o Sr. Pudores cativava todos à sua volta. Temido pelas suas fúrias, que deram origem a lendas e histórias que assustavam as crianças à noite. Era um homem de extremos, mas com um fundo tão bom e generoso, que das fúrias só ficaram mesmo as lendas.

Como sempre e habitual, os três cavalheiros almoçavam juntos, podia não haver novidades, podia não haver histórias, agora o que não podia mesmo era haver refeições sem a companhia uns dos outros, estavam de tal forma interligados, que conseguiam comunicar secretamente através dos olhos (mas nunca foi provado se possuíam capacidades telepáticas, apesar de correrem fortes rumores a comprovar esse facto).

O quarto elemento do grupo era uma figurinha, pequena, mas nada apagada, jovem, destemido, pêlo na venta, era um pintainho.

Tinha muita graça o pintainho, todo arrebitado e saído, abria o biquito e disparava em todas as direcções, mas sempre com muita graça (o pequenito era teimoso como uma porta e obstinado!), completava o quarteto, dando-lhe um toque invulgar, os mais tapados ficavam baralhados, os mais astutos imaginavam mundos e fundos, os tolos, bem esses o que diziam não interessava, o que os tolos dizem não se escreve...

Era muito engraçado de ver os quatro, então quando começavam a disparatar, bem, sobrava para todos os lados...

Moral da história, bem esse fica para outro dia, porque para ser sincera, a história ainda não acabou, logo como pode haver moral?

terça-feira, 1 de junho de 2010

Coração ao sol...


O pequeno coração estava escondido à muito, muito tempo...


Estava tão escondido, tão encolhido, tão resguardado, que se tinha esquecido de que cor era o sol...


Há muito tempo atrás o pequeno coração passava os dias ao sol... Deixando-se inebriar pelo seu calor... Ofuscado pelas suas cores... O coração amava o sol... Pulsava todos os dias para o sol...




Mas um dia uma nuvem desceu sobre o coração... A nuvem não estava provida de maus sentimentos... Mas tapava o sol... O sol que o pequeno coração amava, desapareceu... Por trás da nuvem... Tirando-lhe todas as razões para viver...


Passaram dias, anos, eternidades de tempos idos, que não voltariam... A Terra continuou a girar... Os relógios não pararam... O ciclo da vida continou, mas o coração estagnou.. Escondido num pequeno, inóspito buraco, o coração estagnou... Fechou-se, trancou-se, perdeu-se na melancolia dos dias passados e não vividos...


O coração esqueceu-se de viver, foi mirrando, desaparecendo, deixando-se levar pela letargia.. Coitado do coração...


Até que um dia, um raio de sol maroto conseguiu furar, tocar o coração, acaricia-lo com o seu calor... O coração de inicio não sabia o que se passava, que estranho calor era aquele que o envolvia, que o reconfortava, que o chamava... Que cores brilhantes, vibrantes eram aquelas? Mas deixou-se levar... Não teve forças para resistir... Sentiu-se flutuar... Sentiu-se acompanhado... Sentiu-se vivo...


O pequeno raio de sol salvou o coração... Tirou-o da amargura... Deu-lhe uma razão para voltar a pulsar... Devolveu-lhe o amor pelo sol...

quarta-feira, 26 de maio de 2010

A vida num rectângulo


Estava um sol lindo, que lançava os seus raios mornos sobre o casario...


O casario era cinzentão.... Nem o sol o animava... Pesava sobre ele o peso de cem vidas, mil histórias por contar... Mas lá no meio destacava-se um pequeno rectângulo branco...


Aquele rectângulo branco era o centro da harmonia do casario...

Todos os raios de sol se apaixonaram pelo branco, pela calma que o pequeno rectângulo branco transmitia...


No pequeno rectângulo vivia um casal... Viviam, trabalhavam, faziam tudo dentro daquele rectângulo...

Toda a gente se sentia atraída pelo rectângulo branco...

Toda a gente queria lá ir...


Um dia o casal abriu as portas do rectângulo...

Toda a gente entrou... Viu... Conheceu o pequeno rectângulo.... Toda a gente queria conhecer o desconhecido...


Mas o que viram não era aquilo que tinham imaginado...

O casal que lá vivia, trabalhava e fazia tudo, só se cruzava... Partilhavam aquele espaço exíguo e mal se viam... Já não se reconheciam... Levaram o cinzento da rua para dentro do rectângulo da harmonia...


O casal que tinha construído o rectângulo com tanto amor, carinho, paixão, agora vivia como estranhos, no pequeno rectângulo, que todos diziam ser o centro da harmonia do casario cinzento...


Assim de longe, o pequeno rectângulo branco transmitia harmonia, amor, paz...

Mas era tudo uma miragem....

Porque detrás daquele branco, pintalgado do amarelo do sol, vivia a rotina, as vidas separadas, o desamparo...




quarta-feira, 19 de maio de 2010

Cavaleiros alados....


Eram milhares, mas funcionavam como um só...

Perfilaram-se no cimo do monte...

Erectos...

Vazios...

Sem alma...

Com sede de sangue, com sede de vidas, com uma sede tão incontrolável que devastaria tudo na sua passagem...

Milhares de cavaleiros, sequiosos de vingança perfilaram-se no cume do monte...

Eram tão imensas as suas figuras, que uma nuvem negra se espalhou, envolvendo o vale outrora feliz, em sofrimento, desespero, opressão...


Perfilados no cume do monte os cavaleiros, aos milhares, cantaram, as suas vozes elevaram-se num prenuncio do fim dos tempos, as suas vozes embrenharam-se na terra, fazendo-a trepidar, fazendo-a tremer de terror...


De repente o silêncio, o vazio, a ausência do tudo...

Não se sente nada, a não ser a electricidade no ar...


O cheiro do medo espalha-se, cobrindo todo o vale...


Ouve-se ao longe um silvo agudo, dando inicio a algo nunca dantes visto, abrindo as portas do inferno...


Os cavaleiros começam a descer o monte, a uma velocidade aterradora, devastando tudo, arrebatando esperanças, violando vidas, destruindo amores, abrindo um caminho negro...

O medo no coração de quem os via vir era tal, que se transformavam em pedra, o terror era de tal forma, que as pessoas dilaceravam a pele, tentando salvar-se...


Os cavaleiros passaram, tudo levaram, tudo... Não ficou nada... O vazio....

Não ficaram para ver o fim...

Pois eles eram o fim...

segunda-feira, 10 de maio de 2010

A teoria dos Abrileiros


A teoria dos Abrileiros resulta duma amalgama de conversas, nomeadamente com um quase conterrâneo meu, na busca da explicação mágica da situação das coisas (entenda-se coisas como o estado do país!)...

Tudo começou numa bela tarde de Novembro (ou será Dezembro, bem acaba tudo em embro!), conversa puxa conversa e pumba, lá vamos nós falar no quê? No estado da nação, ou melhor, no desatino da nação, na confusão que isto vai!

Inteligentemente o meu interlocutor coloca a questão:

Mas afinal quando é que isto tudo começou?
Será que conseguimos identificar a raiz do problema?
Começamos a recuar no tempo, Sócrates, Santana Lopes, Durão Barroso, Guterres, Cavaco Silva, Mário Soares.... Blá, Blá, Blá e pumba vamos parar ao Salazar, mas bem, aí é recuar muito e não queremos bater mais nesse ceguinho, mas fica algo no ar, o 25 de Abril, e toda uma geração alucinada que emerge nessa altura.

Diz o meu interlocutor: a culpa é dos Abrileiros....

A culpa é dos Abrileiros.....

SIM, A CULPA É DOS ABRILEIROS!

Passo a explicar, passamos do oito para o oitenta, passamos da restrição do tudo, para a permissão do tudo, tudo isso nas mãos de pessoas imaturas e com pouca visão. Mas quem são os Abrileiros?

Os Abrileiros são os que fizeram o 25 de Abril, que se mantêm no "poder", são aqueles que têm uns tentáculos tão compridos, que se emaranharam neles e não conseguem sair, são aqueles que diariamente hipotecam o futuro das novas gerações, com politicas pouco visionárias, mas pior que isso, políticas que nos fazem recuar, perder direitos, perder os direitos fundamentais que cada ser humano deve ter, porque eu acredito seriamente que os direitos humanos estão em vias de extinção em Portugal.

Sinceramente não percebo, sinto-me defraudada enquanto cidadã, porque em vez de construirmos um futuro melhor, cada vez mais tememos o dia de amanhã, que é quase garantido ser pior que o de ontem.

Fez no outro dia 36 anos que foi o 25 de Abril!
Fez 36 anos que saímos duma ditadura!
Fez 36 anos que um bando de estarolas começaram uma revolução em que a sua principal motivação eram reivindicações salariais (se bem que há 36 anos não existiam estas duas últimas palavras!)!
Fez 36 anos que saímos das trevas, mas desenganem-se os esperançosos, ainda não vimos a luz...
O 25 de Abril é um grande marco, a esta data fazemos logo uma relação directa para a liberdade, para a mudança, para a abertura ao mundo!
Mas o que trouxe o 25 de Abril à minha geração? (Eu faço parte da geração que nasce depois do 25 de Abril, mas criada pela geração que o "fez").
Trouxe-nos liberdade de expressão, liberdade de escolha, acesso ao saber, acesso ao mundo, trouxe-nos coisas que nós nem sabemos, pois como sempre fizeram parte do nosso dia a dia, só as saberíamos identificar se déssemos por falta delas...
Trouxe-nos o tudo, mas neste momento sentimo-nos reduzidos ao nada...

sábado, 8 de maio de 2010

O meu balão cor de rosa...


Ontem deram-me um balão cor de rosa...

Era um balão lindo, que voava alto....

Toda a gente gostou do balão, uns tentaram apanhá-lo, outros tentaram ficar com ele, outros quiseram dar-lhe um destino incerto, mas eu quis o balão só para mim... Era tão bonito o meu balão...


Mas tornou-se complicado manter o balão, tornou-se um incómodo e eu deixei de saber o que fazer com o meu balão... Mas eu gostava tanto dele.... Não queria perdê-lo...


Então olhei para o céu, estava encoberto, chuviscava, mas era imenso, escuro, incerto, um desafio, impunha respeito, despertava curiosidade... Lentamente despedi-me do balão, olhei-o, afaguei-o e devagar, com movimentos carinhosos, desapertei o nó e senti aquele fio percorrer os meus dedos, suavemente, levado pela brisa da noite, numa intima despedida...


O balão subiu, primeiro a medo, o incerto é aterrador, mas continuou a subir, a descobrir, a rasgar o céu, o meu balão partiu à aventura, levado pelo sussurro da noite, levado pela melodia das palavras doces que só a noite acolhe, levado pelo vibrar dos corações apaixonados...


Eu fiquei cá em baixo, a ver o balão subir, a desaparecer no infinito do céu... O meu balão cor de rosa...


O meu balão partiu, mas a recordação da subida ficou gravada na minha mente... Porque a subida é algo terrivelmente emocionante...

terça-feira, 13 de abril de 2010

Uma história de amor...


Quem acredita em príncipes encantados?

Quem acredita no "e viveram felizes para sempre"?

Quem acredita que o amor supera tudo?

Esta totó voltou às perguntas, e estas três questões têm invadido o meu cérebro com muita frequência, para ser sincera, com frequência a mais (estarei a ficar tolinha??).

Mas adiante, estava eu no outro dia sentada no meu sofá a trabalhar e com a TV ligada (para fazer companhia), começou a dar um filme baseado num romance do Nicholas Sparks, sinceramente, não nutro grande simpatia pelo senhor (com isto não pretendo ofender ninguém), sempre achei a literatura deste senhor muito de cordel, muito cor de rosa, estilo donas de casa desesperadas dum subúrbio americano, mas bem, o filme captou a minha atenção....
Querem saber porque captou a minha atenção?
Pois bem, aqui vai, o filme fez vir à tona sentimentos e sensações que estavam perdidas no tempo, fez-me voltar a ser aquela menina que acreditava em príncipes encantados, que acreditava em finais felizes, que acreditava que o amor verdadeiro resolve tudo por magia, fez-me voltar a ser aquela menina feliz só por acreditar nestas coisas, em suma, fez-me sentir bem...
Durante cerca de duas horas ri, chorei, suspirei, envolvi-me numa história de amor que não era minha, mas principalmente sonhei, deixei-me levar na brisa leve da imaginação e mais uma vez voltei aquele mundo encantado, que só vamos quando estamos meio acordados e genuinamente felizes... Soube tão bem deixar-me ir.... Sonhar... Voltar a acreditar...
Agora pergunto, porque deixamos de acreditar? Porque perdemos aquela inocência pueril em relação ao amor?
Eu sei porquê, isso acontece com a primeira decepção, a primeira decepção de amor torna-nos oficialmente "adultos", é nesse exacto momento que deixamos de acreditar, que nos tornamos cínicos em relação às histórias de amor... Que deixamos de ter acesso ilimitado ao mundo encantado... Nesse exacto momento perdemos a inocência... E de decepção em decepção o nosso coração vai-se fechando, atrofiando, mirrando, secando...
Este filme abriu-me novamente uma pequena janela para esse mundo encantado, em que a única solução que temos é sermos felizes, pois acho sinceramente que hoje em dia temos medo de ser felizes, de acreditar, de dar o nosso coração a outra pessoa, para ela cuidar dele, temos medo de nos dar a amar, temos medo de amar... A felicidade com o tempo tornou-se uma coisa assustadora, pois atrás dela está o bicho papão, a desilusão, a desilusão de amor...
Eu não gosto de sofrer, não gosto de desilusões, mas vos garanto, adoro sentir-me feliz, sentir o coração tão cheio que parece que vai rebentar...
E, para terminar, na maioria das vezes é tão fácil ser feliz...

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Uma nerd de cabedal...


Nos últimos tempos tem sido frequente ser chamada de nerd (espero eu com conotação positiva), mas pus-me a pensar, o que é uma nerd?

Fui ao google e de acordo com a Wikipédia (esta maravilhosa ferramenta do desengano) nerd é o seguinte:

"Nerd é um termo que descreve, de forma estereotipada, muitas vezes com conotação depreciativa, uma pessoa que exerce intensas actividades intelectuais, que são consideradas inadequadas para a sua idade, em detrimento de outras actividades mais populares. Por essa razão, um nerd é muitas vezes excluído de actividades físicas e considerado um solitário pelos seus pares. Pode descrever uma pessoa que tenha dificuldades de integração social e seja atrapalhada, mas que nutre grande fascínio por conhecimento ou tecnologia."

Fiquei decepcionada...

Então quem "nutre grande fascínio por conhecimento ou tecnologia" está votado ao ostracismo social? Então quem " exerce intensas actividades intelectuais" tem que ser velho ou gordo ou então é nerd?

Afinal Nerd é uma asneira, um palavrão!!
Mas tenho que refutar esta descrição, pois não me considero uma atrapalhada social, nem uma solitária e adoro desenvolver várias actividades, quer intelectuais quer físicas.
Acho este género de estereótipo muito limitativo, pois parece que alguém estabelece a priori o que deves ser, a que categoria pertences e o que podes fazer dentro dessa categoria...
Pois digo-vos caríssimos, discordo destas ideias, acho que posso gostar de tecnologia e de sair à noite, posso gostar de ler livros e ter conversas fúteis, posso gostar do que quiser, sem medos, porque o mundo é isto mesmo, gostar do que querermos, viver o que gostamos e fazermos tudo por tudo para sermos felizes.

domingo, 14 de março de 2010

As crianças já não brincam na rua...

Onde param os catraios?

Onde andam as nossas crianças a brincar?

Porque já não brincam as crianças na rua?

Peço desculpa por começar este post com tantas questões (normalmente é ao contrário), mas hoje fiz estas mesmas perguntas, várias vezes, pois deparei-me com um panorama que contraria a natureza dos primeiros dias de sol, a ausência de crianças na rua.

Hoje estava um dia lindo, sol, boa disposição no ar, mas as nossas ruas estavam despidas de crianças, das suas vozes, das suas brincadeiras, estranhei a ausência desses sons familiares.


Fiz uma pequena viagem no tempo, à minha infância, para relembrar como foi, é que eu fartei-me de brincar na rua (a ausência de crianças levou-me a pensar que a minha infância pudesse ter sido ficção científica), sujei-me, andei em bando, corri, fui feliz. O meu pai chegou a montar um foco para a rua, para a gaiatada poder ficar até mais tarde (era o nosso sol artificial!).


São formidáveis as recordações que guardo desses dias, nunca me hei-de esquecer do dia que vimos o fantasma na Casa do Conde, fugimos todos a sete pés, só anos mais tarde percebi que o fantasma era a caseira, uma mulher com 1,90 m, nariz pontiagudo, feia como a morte, meia corcunda, que costumava fechar as janelas todas as noites, o fantasma perfeito!


Mas retomando a temática principal, sei que me podem dar inúmeras explicações para não vermos crianças a brincar na rua, eu tendo a concordar com algumas delas, nomeadamente a segurança, mas acho que estamos a encurtar a infância das nossas crianças, pois constantemente lhes dizemos, "só quando fores mais crescido", estamos a apressá-las para serem crescidas, estamos a encurtar o período de inocência, estamos a negar-lhes as aventuras à Tom Sawyer!


Sinto falta das minhas tardes de brincadeira, de liberdade, de inocência, de felicidade (com muito pouco), de cheiro a Primavera, de cabelos desgrenhados ao vento...


Mas as crianças já não brincam na rua, estão enfiadas entre quatro paredes, enlatadas, formatadas, enclausuradas, em processo de aceleração para deixarem de ser crianças...

Por isso mais uma vez pergunto:

Onde param os catraios?

Onde andam as nossas crianças a brincar?

Porque já não brincam as crianças na rua?

terça-feira, 9 de março de 2010

Terapia de grupo na mesa do café..


Este post já anda a ser marinado faz algum tempo e é o resultado de anos e anos de experiência deste fenómeno, a terapia de grupo na mesa do café!


Actualmente conversar cara a cara, olhos nos olhos, torna-se cada vez mais complicado, e são muitos os motivos que contribuem para isso, a volatilidade com que comunicamos por telemóvel, por mensagem, pela Internet, dificulta o contacto pessoal, a interpretação de sentimentos através das expressões faciais torna-se um fenómeno em vias de extinção (acredito piamente que o termo rugas de expressão vai desaparecer e ser substituído pelo termo rugas de computação).


Mas esta é uma questão que considero bastante difícil de abordar, pois se por um lado existe uma maior facilidade de comunicação, existindo mais ferramentas que o tornam possível, por outro lado essas mesmas ferramentas isolam-nos numa concha, e só nos permitem contactar de forma virtual. Ouvimos falar tanto em adolescentes que não saem dos quartos, de pessoas que vivem em função do computador, e isto leva-me a pensar, mas estas pessoas não sentem falta de ir ao café?


Esta pergunta tem-me assaltado o espírito com frequência, porque sendo eu portuguesa de gema, não consigo passar um dia sem ir ao café, é uma acto automático, é cultural, é uma das formas mais portuguesas de sociabilizar, o beber o cafezito, a jola, o tremoço, meter o euro-milhões...


Mas a ida ao café tem muitos mais factores inerentes, que a tornam especial, determinante na nossa vida, pois por experiência pessoal, tem sido na mesa do café, com os meus amigos que tenho partilhado os meus receios, em que falo das minhas conquistas, dos amores e desamores, em que falo de malas e sapatos, onde questiono a sociedade em que vivemos, onde ouço os meus amigos e os ajudo, onde fazemos a dita terapia de grupo!


Considero a terapia de grupo uma das formas mais saudáveis (e económicas) de manter a sanidade mental, num mundo que caminha para um mar de loucuras, onde vivemos de forma endémica, onde cada vez mais somos ilhas, com redes ténues que nos ligam a outras ilhas.


Na sexta feira passada fui ao café, estava cheio (também esta frio e chuva) de malta da minha idade, a conversar, a cantar e fiquei orgulhosa, mas ao mesmo tempo triste, pois as gerações que vêm atrás de mim pouco as vejo no café, e com isto temo que mais uma particularidade portuguesa se esteja a perder, a ida ao café!





domingo, 7 de março de 2010

Mudar de vida... Ou não....

Ultimamente tenho sonhado muito com pontos de interrogação, o meu sub-consciente parece uma fabrica de produção em linha de pontos de interrogação...

A grande questão que se coloca é a mudança de vida.. Valerá a pena mudar de vida? O que é mudar de vida? É mudar de look? É mudar de principios? É deixar-mos de sermos nós próprios?

Mas afinal o que é mudar de vida?

Nesta demanda interior cheguei a algumas conclusões no que toca a esta temática, vou escrever uma lista (adoro escrever listas, já foi o meu passatempo e o da melguita, escrever listas, havia de publicar isso, ia abanar os fundamentos da totice, mas adiante...):

1- Implica um corte (radical se querem saber) com o estilo de vida que se leva;
2- Não é preciso deixarmos de ser nós próprios (mas podemos aproveitar a embalagem para fazer umas melhorias);
3- Emerge dum mal estar generalizado perante a vida que se leva;
4- Implica chegarmos à infame conclusão que o que temos não está bem. Considero este o ponto crucial da questão, o seu cerne, é que até concluirmos isso vai um grande caminho, admitir que todo um percurso que fizemos não foi bom, ou não nos levou onde queriamos é complicado, doloroso, penoso...

Esta linha de pensamento leva-nos a outra existêncial : O que ando eu a fazer da minha vida?

Vou usar aqui uma frase que alguém muito especial para mim tem usado muitas vezes e considero que não lhe atribuimos a importância que merece: "Viver é a única coisa que não se pode viver depois..."

domingo, 28 de fevereiro de 2010

O menino regressou de Paris...

Partiu na carreira, com a alma cheia de desejos...
Mas agora ele regressou, com a alma cheia ... Não se sabe bem do quê... Ele não foi a Las Vegas, por isso não podemos usar a máxima "O que acontece em Vegas, fica em Vegas!", mas uma coisa posso dizer, algo aconteceu...
Na carreira foi divertido, muita brincadeira, brejeirice, bom vinho, boa comida, como manda a boa etiqueta portuguesa, mas continuo a dizer que só seria uma carreira a sério se levasse as galinhas e os marranitos (os únicos que iam, já estavam mortos e assados).
Lá chegou a Paris, sem acidentes de percurso, pronto para tudo, expectativas elevadas...
Fez tudo o que devia ter feito, o roteiro todo, foi a todo o lado, não falhou um ponto importante, museus, monumentos, bons restaurantes, embeiçou-se por uma magrebina, fez tudo e tudo e tudo, só ficou por fazer aquilo que realmente queria fazer (faço-me entender?)...
Assim regressa o menino de Paris, onde fez tudo o que devia ter feito, regressou de carreira, as quatro rodas que o levaram, foram as quatro rodas que o trouxeram, inteiro por fora, partido por dentro, com o desejo que todos nós trazemos depois de uma grande viagem que não corre como gostaríamos, o desejo de ter feito tudo ao contrário...

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Os rapazes que não deviam sair à noite!

Se alguém hoje em dia precisar de uma injecção de estupidez aguda, só tem um remédio, sair à noite! Vê-se de tudo e de nada também (realmente é o de nada que me assusta!).

Tenho a certeza que existem inúmeras dissertações, artigos, post´s, comentários sobre a noite, nas suas mais variadas vertentes, mas a que eu quero abordar hoje é: Os rapazes que não deviam sair à noite!

Dei por mim a observar uns quantos espécimes do sexo oposto, analisei o comportamento, a atitude, a postura e digo-vos senhores e senhoras, com toda a solenidade, deitei literalmente as mãos à cabeça! Estamos perdidos! Estamos condenados! Estamos tramados!

Espécime 1: Rapaz na casa dos 25 anos (já com idade para fazer a barba), magro, desengonçado, óculos femininos, a dançar parecia uma cana isolada num canavial ao vento, trejeitos nas mãos que espero bem serem da coreografia, mas o pior, a camisa vermelha dentro das calças!! Medo!

Espécimes 2 e 3: Dois homens, um na casa dos 40 outro dos 30, em par (mas não casal), dois predadores, dois caçadores da noite, tipos elegantes, low profile, olhar penetrante, a vasculhar tudo, a observar a carne, a escolher. Este é o exemplo clássico da noite: os gajos do sacanço...

Espécime 4: O pseudo intelectualoíde. Tipo sem idade, a fugir para o reboludinho, óculos de massa escura, barba, que tenta compensar a falta de brilhantismo físico com uma inteligência e cultura geral acima da média (se bem que hoje qualquer pessoa que leia a necrologia do jornal já é acima de média, só pelo simples facto de ler). Este é o tipo que me dá mais gozo descrever, porque também é o que se pode adjectivar mais. Normalmente tem como plateia miúdas giras, que não percebem patavina do que diz, o que acaba por ser bom, porque se meter os presuntos ninguém detecta. Não comete o erro crasso do espécime 1, que é dançar, ou sabe mesmo dançar ou então recorre a um leve balançar, para não se enterrar. Não comete o erro dos espécimes 2 e 3, que é estar literalmente a fazer um inventário da carne disponível, observa dissimuladamente, finge-se desinteressado, para assim parecer mais misterioso e "indisponível". Provavelmente é o que tem mais sucesso.

Agora perante este cenário, digam-me, estamos ou não estamos tramados?

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

O mundo Fajuto

Já alguma vez vos aconteceu ficarem parados e ver o mundo a continuar em slow motion?

Já alguma vez deram pela vida a correr a vossa frente, sem que nada a trave e sem que vocês consigam tirar o proveito dela?

Já alguma vez sentiram aquela impotência esmagadora de não conseguir mudar o rumo das coisas?

Já alguma vez sentiram viver num mundo faz de conta? Em que o era não era?

Pois eu digo, usando a gíria brasileira, vivemos num mundo fajuto... Um mundo as avessas, com as costuras tortas voltadas para fora, um mundo que leva ao desengano...

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Rugas de expressão


Estava eu no outro dia a mirar-me ao espelho (o rosto, para ser mais específica) e reparei em algo que não devia lá estar. Apeteceu-me gritar: "fui mutilada durante o sono!", mas achei melhor não, então respirei fundo, contei até cem (na esperança da "coisa" desaparecer), voltei a contar até cem, porque sempre troquei os sessentas com os setentas (mas eles são tão parecidos, caramba!), voltei a olhar para o espelho e não é que aquilo continuava lá!!!
Comecei a respirar muito depressa, porque a única conclusão que podia tirar era tão evidente, mas tão evidente, a coisa era uma ruga! UMA RUGA!

Sabem que a palavra ruga deriva do grego rua? Pois aquilo para mim parecia uma auto-estrada!

Mas não podia esconder-me, nem ignorar que tinha acabado de dar o primeiro passo de toda uma nova vida, a vida da luta desenfreada contra as rugas.

Armei-me em forte (traduzindo, ignorei a "coisa" o melhor que pude) e fui para a rua, cheia de medo dos olhares de escárnio.

Mas não me dei por vencida, falei com pessoas (mulheres), e cheguei a uma conclusão, a minha "coisa" não era só uma ruga, mas sim uma ruga de expressão!

Agora a parte das perguntas (como não podia deixar de ser), o que é uma ruga de expressão? É por sermos muito expressivos? É um castigo por ausência de expressão? São sinónimo de idade ou de experiência? Dão charme (se bem que sempre me disseram que charme é só para os homens que sabem envelhecer com pinta)?

Resumindo, tenho algo novo na cara, que ainda não me acostumei, mas que vem para ficar...

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

O menino vai para Paris de carreira...


O menino decidiu que ia a Paris....
Primeiro pensou em ir de avião (suspeito até que chegou a adquirir bilhete)...
Mas achou que avião era monótono demais, então decidiu ir de comboio...
Mas achou que o comboio era monótono demais, então pensou, pensou, voltou a pensar e decidiu: VOU DE CARREIRA!

Então aqui fica, uma fotografia da carreira para Paris, não tem galinhas (ficaram retidas por causa da gripe das aves!), não tem marranitos (ficaram retidos por causa da gripe suína), mas tem o mais importante, quatro rodas que vão levar o menino a caminho da aventura em Paris!

Vitória, vitória, acabou-se a história...
Acabar, acabar, não acabou... Falta saber como foi por lá... Mas isso é outra história...

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

O Amanafadinho....

Não sei se estão familiarizados, ou se sequer ouviram falar do Amanafadinho, mas digo-vos, eles andam aí, são sete e vêm aos pares!

À primeira parece um termo fofinho, adorável, quiçá o nome de um urso de peluche… Mas não… O Amanafadinho não é nada daquilo que estamos à espera…

O Amanafadinho está em todo o lado, é discreto, figura calada, calma, calculista, mas que vai lançando a sua teia e (do)minando tudo…

O Amanafadinho é aquele tipo que substitui o órgão sexual pelo umbigo (como órgão mais importante do seu corpo)…

O Amanafadinho sorri sempre, sempre, sorri demais, com aquele sorriso fuinha de dentinho amarelo à espreita…

O Amanafadinho está sempre à escuta, sempre à espera que alguém dê um passo em falso, et voilá, aparece ele para dar o pontapé final…

Toda a gente tem um Amanafadinho na sua rede social, no seu prédio, bem próximo de si. Às vezes podem ser confundidos com animais de estimação (não querendo ofender nenhum animal)…

O Amanafadinho não tem um tipo físico padrão, tem uma capacidade de disfarce notável, pode ir do maior labrego ao maior pintas e nem damos por isso…

Hoje dei por mim a exercitar a capacidade de encontrar Amanafadinhos à minha volta, assustei-me, são muitos, demais, imensos... São tantos, a corroer, a minar, a mirar o umbigo… Uma ode ao umbigo…

Fica a pergunta final…
Sabes quem é o teu Amanafadinho de estimação?

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

O senhor faz tudo!

Quantos de nós não recorreram a um profissional denominado de "senhor faz tudo"?

Ora vamos lá por partes:

1º Quem é o "senhor faz tudo"?
2º Pertence a alguma classe profissional?
3º O "senhor faz tudo", faz realmente tudo?

O conceito por si só é delicioso e dá asas à imaginação! Uma pessoa que faz tudo, tudinho! Realmente tudo! Era capaz de passar uma noite a escrever este tudo com gosto!

Depois de muitas conversas, perguntas, pedidos de opinião, consegui encaixar o "senhor faz tudo" numa categoria abrangente: aquelas pequenas coisas que toda a gente até saberia fazer mas que não se querem ralar!

Como é o "senhor faz tudo"?

Na minha cabeça o "senhor faz tudo" é moreno, baixo, atarracado, pouco cabelo e sempre oleoso, com um bigode fininho preto, barriga proeminente de respeitável homem de família, unhas do dedo mindinho comprida (para desenrascar as mais variadas situações). Enquanto cumpre as suas funções bebe uma cervejola (para matar a sede, evidentemente!), quando se dobra a calça de ganga coçada desce, mostrando um caminho sinuoso e peludo que ninguém quer ver.

Esta personagem faz parte do nosso imaginário, faz parte do nosso dia a dia, desenrasca-nos (este termo bem português, que me atrevo a dizer, sem tradução directa em nenhuma língua ou dialecto) e acode-nos nas mais diversas situações.

Deixo então a pergunta mais importante:
Será que o "senhor faz tudo" faz lasanha vegetariana?

P.S.: Agradeço relatos de experiências relacionadas com os "senhor faz tudo".

domingo, 7 de fevereiro de 2010

1º Registo

A ideia de iniciar este blog foi repentina, não foi pensada, esquematizada, foi algo espontâneo, resultante da necessidade de deitar cá para fora os pensamentos de uma Toto.

O primeiro conselho que me deram foi "não te tornes mais uma na blogosfera", conselho este cheio de sapiência, mas pergunto-me, como evitamos isso? Como nos destacamos no meio de milhares que aqui despejam os seus "sacos"?

Como nos destacamos no Speaker´s Corner da WEB?

Fica esta pergunta hoje, amanhã e os dias que foram necessários até descobrir a receita, mas entretanto vou-me limitar a debitar aqui os pensamentos de uma Toto...