domingo, 14 de março de 2010

As crianças já não brincam na rua...

Onde param os catraios?

Onde andam as nossas crianças a brincar?

Porque já não brincam as crianças na rua?

Peço desculpa por começar este post com tantas questões (normalmente é ao contrário), mas hoje fiz estas mesmas perguntas, várias vezes, pois deparei-me com um panorama que contraria a natureza dos primeiros dias de sol, a ausência de crianças na rua.

Hoje estava um dia lindo, sol, boa disposição no ar, mas as nossas ruas estavam despidas de crianças, das suas vozes, das suas brincadeiras, estranhei a ausência desses sons familiares.


Fiz uma pequena viagem no tempo, à minha infância, para relembrar como foi, é que eu fartei-me de brincar na rua (a ausência de crianças levou-me a pensar que a minha infância pudesse ter sido ficção científica), sujei-me, andei em bando, corri, fui feliz. O meu pai chegou a montar um foco para a rua, para a gaiatada poder ficar até mais tarde (era o nosso sol artificial!).


São formidáveis as recordações que guardo desses dias, nunca me hei-de esquecer do dia que vimos o fantasma na Casa do Conde, fugimos todos a sete pés, só anos mais tarde percebi que o fantasma era a caseira, uma mulher com 1,90 m, nariz pontiagudo, feia como a morte, meia corcunda, que costumava fechar as janelas todas as noites, o fantasma perfeito!


Mas retomando a temática principal, sei que me podem dar inúmeras explicações para não vermos crianças a brincar na rua, eu tendo a concordar com algumas delas, nomeadamente a segurança, mas acho que estamos a encurtar a infância das nossas crianças, pois constantemente lhes dizemos, "só quando fores mais crescido", estamos a apressá-las para serem crescidas, estamos a encurtar o período de inocência, estamos a negar-lhes as aventuras à Tom Sawyer!


Sinto falta das minhas tardes de brincadeira, de liberdade, de inocência, de felicidade (com muito pouco), de cheiro a Primavera, de cabelos desgrenhados ao vento...


Mas as crianças já não brincam na rua, estão enfiadas entre quatro paredes, enlatadas, formatadas, enclausuradas, em processo de aceleração para deixarem de ser crianças...

Por isso mais uma vez pergunto:

Onde param os catraios?

Onde andam as nossas crianças a brincar?

Porque já não brincam as crianças na rua?

terça-feira, 9 de março de 2010

Terapia de grupo na mesa do café..


Este post já anda a ser marinado faz algum tempo e é o resultado de anos e anos de experiência deste fenómeno, a terapia de grupo na mesa do café!


Actualmente conversar cara a cara, olhos nos olhos, torna-se cada vez mais complicado, e são muitos os motivos que contribuem para isso, a volatilidade com que comunicamos por telemóvel, por mensagem, pela Internet, dificulta o contacto pessoal, a interpretação de sentimentos através das expressões faciais torna-se um fenómeno em vias de extinção (acredito piamente que o termo rugas de expressão vai desaparecer e ser substituído pelo termo rugas de computação).


Mas esta é uma questão que considero bastante difícil de abordar, pois se por um lado existe uma maior facilidade de comunicação, existindo mais ferramentas que o tornam possível, por outro lado essas mesmas ferramentas isolam-nos numa concha, e só nos permitem contactar de forma virtual. Ouvimos falar tanto em adolescentes que não saem dos quartos, de pessoas que vivem em função do computador, e isto leva-me a pensar, mas estas pessoas não sentem falta de ir ao café?


Esta pergunta tem-me assaltado o espírito com frequência, porque sendo eu portuguesa de gema, não consigo passar um dia sem ir ao café, é uma acto automático, é cultural, é uma das formas mais portuguesas de sociabilizar, o beber o cafezito, a jola, o tremoço, meter o euro-milhões...


Mas a ida ao café tem muitos mais factores inerentes, que a tornam especial, determinante na nossa vida, pois por experiência pessoal, tem sido na mesa do café, com os meus amigos que tenho partilhado os meus receios, em que falo das minhas conquistas, dos amores e desamores, em que falo de malas e sapatos, onde questiono a sociedade em que vivemos, onde ouço os meus amigos e os ajudo, onde fazemos a dita terapia de grupo!


Considero a terapia de grupo uma das formas mais saudáveis (e económicas) de manter a sanidade mental, num mundo que caminha para um mar de loucuras, onde vivemos de forma endémica, onde cada vez mais somos ilhas, com redes ténues que nos ligam a outras ilhas.


Na sexta feira passada fui ao café, estava cheio (também esta frio e chuva) de malta da minha idade, a conversar, a cantar e fiquei orgulhosa, mas ao mesmo tempo triste, pois as gerações que vêm atrás de mim pouco as vejo no café, e com isto temo que mais uma particularidade portuguesa se esteja a perder, a ida ao café!





domingo, 7 de março de 2010

Mudar de vida... Ou não....

Ultimamente tenho sonhado muito com pontos de interrogação, o meu sub-consciente parece uma fabrica de produção em linha de pontos de interrogação...

A grande questão que se coloca é a mudança de vida.. Valerá a pena mudar de vida? O que é mudar de vida? É mudar de look? É mudar de principios? É deixar-mos de sermos nós próprios?

Mas afinal o que é mudar de vida?

Nesta demanda interior cheguei a algumas conclusões no que toca a esta temática, vou escrever uma lista (adoro escrever listas, já foi o meu passatempo e o da melguita, escrever listas, havia de publicar isso, ia abanar os fundamentos da totice, mas adiante...):

1- Implica um corte (radical se querem saber) com o estilo de vida que se leva;
2- Não é preciso deixarmos de ser nós próprios (mas podemos aproveitar a embalagem para fazer umas melhorias);
3- Emerge dum mal estar generalizado perante a vida que se leva;
4- Implica chegarmos à infame conclusão que o que temos não está bem. Considero este o ponto crucial da questão, o seu cerne, é que até concluirmos isso vai um grande caminho, admitir que todo um percurso que fizemos não foi bom, ou não nos levou onde queriamos é complicado, doloroso, penoso...

Esta linha de pensamento leva-nos a outra existêncial : O que ando eu a fazer da minha vida?

Vou usar aqui uma frase que alguém muito especial para mim tem usado muitas vezes e considero que não lhe atribuimos a importância que merece: "Viver é a única coisa que não se pode viver depois..."