sábado, 7 de agosto de 2010

A lua no teu olhar


A lua entrou pelo teu olhar e encheu-te a alma... Assim que encontrou teus olhos meigos sentiu-se em casa e deixou-se ficar, perdida no morno suave...


Teus olhos acarinharam a lua e embalaram-na num sussurro de paixão... De ardor...

A lua ali ficou, tempos sem fim, tempos sem inicio, ficou e deixou-se ficar...


Os teus olhos aprisionaram a lua, com grades de veludo, fazendo-a desejar nunca mais sair...

A lua dançou, ao ritmo dos teus olhos, ao ritmo do teu coração, ao ritmo do teu calor...


A lua ficou para sempre nos teus olhos, divagando, querendo mais e querendo menos...
Os teus olhos reflectiram a luz da lua, com tal cumplicidade, com tal harmonia, fazendo-a ficar, enfeitiçada no teu olhar...

terça-feira, 3 de agosto de 2010

A menina à beira da linha do comboio


Todos os dias a menina sentava-se à beira da linha do comboio...

Tinha um lugar só para ela, um sítio especial, onde criava um mundo, um universo só dela...


Os comboios que ali passavam iam muito devagar, cheios de pessoas, vazios, cheios de fantasmas, transportando sussuros, histórias, desamores, esperanças...


A menina observava tudo, absorvia tudo, importava todas as emoções para o seu mundo imaginário...


As pessoas que iam no comboio, encarnavam pessoas reais no seu mundo, eram heróis, vilãs, pessoas com histórias... Compunham um imaginário tão rico e vivido, que distinguir o real do irreal era impossível...


Os comboios continuavam a passar, dia após dia, pessoas atrás de pessoas, vidas atrás de vidas, e a menina ali sentada, a ver, a absorver...


A menina ali sentada não vivia, sobrevivia através dos outros, não construía as suas vivências....


Os comboios passavam, a menina não apanhava nenhum, será que tinha medo? Ou será que queria que o comboio a apanha-se a ela?