domingo, 31 de outubro de 2010

A relação perfeita seria um infinito início


Sentou-se inquieto e apressado, com uma sede imensa de solidão. O dia teimava em prolongar-se naquela tarde ensolarada de Julho. Atrás da vitrina do café, todos pareciam correr de alguém que os perseguia.

Estava inquieto porque ninguém o perseguia a ele. Porquê? O que lhe faltava?

A solidão continuava a entranhar-se nele.

O olhar perdeu-se na multidão de transeuntes anónimos.

Ela entrou sorridente, como se a luz persistisse em acompanhá-la até na penumbra.

Ajustou-se à cadeira, puxando discretamente o vestido curto. O seu corpo jovem, insinuante de tentações e prazeres contidos, alinhou-se ao olhar.

Os olhos dela varreram a sala, perdidos, desinteressados.

Ele viu uma solidão igual à sua, quis esticar a mão mas não conseguiu…

Ela olhou-o e atravessou-o…

Recebeu o olhar dela como um golpe perpassado por um raio de luz incandescente.

Ela sorriu-lhe timidamente. Surpreso, teve a tentação de olhar em redor para confirmar se era ele o destinatário. Sentiu um afago de alma, a vontade imensa de sentir seus aqueles lábios carnudos.

Ela levantou-se de repente, com um olhar perturbado, acercou-se dele e disse-lhe:

- Tu agradas-me. Posso sentar-me?

- Claro – respondeu ele, inquieto com a possibilidade de ela ter escutado os seus pensamentos.

(continua...)

1 comentário:

  1. Muito interessante. Fico à espera da continuação

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