terça-feira, 1 de março de 2011

Pesadelo


Sinto-me a desvanecer...

A brisa dos minutos abana-me, faz-me tremer, olho à volta…

Procuro, volto a procurar…

Estou perdida, angustiada, perdi a luz…

O meu corpo explode, libertando-se em milhares de pontos, que se espalham num céu negro, assustador…

As âncoras dentro de mim desaparecem...

Sou livre? Serei livre? Saberei ser livre? Quererei ser livre? O que é ser livre?

Continuo a olhar em volta, a angústia volta a envolver-me como duas mãos gigantes, sufocantes, arrepiantes…

Quero fugir, preciso fugir, as portas fecham-se, os caminhos são engolidos, quero chegar, não consigo…

Milhares de vultos cercam-me, estão parados no tempo, ondulam amarrados a um chão castrador, os vultos anónimos, todos iguais, esticam-se, tentam tocar-me, tentam prender-me ali…

Continuo a fugir, à procura do nenhures, não sei o que procuro… Não sei o que procurar…

1 comentário:

  1. Não sou crítico literário nem quero calçar o chinelo. Ainda assim, deixe-me dizer-lhe que, ignorado o contexto, o texto é lindíssimo. Evidencia o "pesadelo", a dor de quem está, mais o que indeciso, perdido.
    Não é fácil conseguir traduzir esse momento em palavras. Muito bom, muito bom

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