quinta-feira, 7 de junho de 2012

1 Segundo infinito



Aquele momento em que tudo fica estático
Gelamos
Aquele eterno segundo que nunca mais acaba, preso entre duas batidas de coração
Onde o pulsar da vida se esvai
O exato momento que tomamos a consciência,
Que tudo fica claro, sem margem de dúvidas
A catarse daquele segundo é extenuante
O mundo desfila à nossa volta, como um filme a preto e branco rasurado
Somos uma ponta solta num infinito de histórias completas
O segundo não para
A batida do coração não segue
Um fogo arrasador invade-nos
Queima-nos
E o segundo não para
O coração não bate
O fogo persiste, queima, fere, destrói, elimina, purga
E o segundo ainda não parou
O seu infinito desespera
O coração teima em não voltar a bater
Até que
O silêncio total
Uma bruma suave vem
Suave como um pena
 Vai desvanecendo o fogo
Levando tudo consigo
Deixando um espaço novo
O vazio
A ausência completa de tudo
E o segundo parou

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